sexta-feira, 28 de março de 2025

Semana da Leitura




 

Atividades de leitura

 "No princípio, o mundo era só um. 
Tudo era de todos,
ninguém pertencia a nada,
nada pertencia a ninguém.

Os animais caminhavam sem se preocupar com o seu destino ou com o seu regresso. Pois, regressar para onde, se não havia casas, nem lugares marcados? Ia-se simplesmente andando, com3ndo e dormindo onde calhava. Uns dias comia-se melhor, outros dormia-se pior, mas nunca havia dois dias iguais.
Não havia rotinas, nem planos, nem agendas. Só Surpresas! (...)

Mas um dia, nesse mundo do princípio, tudo mudou. Um urso passou junto a uma figueira. Os figos eram o seu fruto preferido. O ursoo deteve-se a observar os ramos e rapidamente percebeu que alguém tinha passado por ali não havia muito tempo: " Que azar, só há figos verdes!"

Uma história apresnetada às crianças do 2.º e 1.º anos da ABL para pensar sobre a espera e "os frutos" que ela pode trazer. Esperar e encontrar algo que se deseja - como ligar esse desejo ao tempo?
Algumas ilustrações relaizadas.



 

 

quinta-feira, 27 de março de 2025

Atividades de leitura

Uma das salas do JI do Centro escolar Agustina Bessa-Luís realizou uma atividade de leitura e de expressão plástica, a partir do conto, Herberto.

"No canto de um jardim, debaixo de troncos húmidos e folhas caídas, vivia uma lesma chamada Herberto.Como todas as lesmas, o Herberto passava os dias alegremente a comer alface até a barriga não aguentar mais e ser outra vez  hora de dormir.(...)"

 

 


Atividades de leitura


Integrada na semana da leitura, foram desenvolvidas diversas actividades de contacto com o livro. No dia 13 de março, as crianças da EB1 de Arcos receberam a escritora Carmen Zita Ferreira, que veio apresentar duas das suas obras, justamente o Morcego bibliotecário e Dois dedos de conversa.

  A escritora iniciou a sua apresentação falando da sua atividade ligada à sua escrita de histórias e aos aspectos que a conduziram para a escrita para o publico mais jovem.

  Falou dos aspectos da construção dos livros, nomeadamente as questões da ilustração aos materiais e os processos.

  Contou a história do Morcego Bibliotecário e cantou alguns poemas do livro Dois dedos de conversa. As crianças fizeram diversas perguntas sobre as apresentações e o porque de ela querer ser escritora.

   Esta escritora apresentou ainda os livros: O Bicho-de-sete-cabeças; Beatriz, a Árvore Feliz; Roubar ao Mar.

Os professores das turmas que assistiram à actividade de leitura mostraram o seu agrado pelo modo que a mesma foi apresentada e o seu conteúdo e sua simpatia.

 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Integrada na semana da leitura, foram desenvolvidas diversas actividades de contacto com o livro. No dia 19 de março, as crianças da EB1/JI de Touguinhó, receberam a escritora Cristiana Pires, que veio apresentar a sua obra, E tu? Também sonhas?

O texto apresentado contém uma mensagem interessante. O livro procura ensinar a importância dos sonhos às pessoas revelando a significado de emoções e valores como; amizade, empatia, do amor e, acima de tudo, a grande importância de sonhar.

A Atividade foi apresentada com leitura dupla com a escritora e uma colaboradora que representava e cantou no final da história.

A actividade foi bem recebida pelas crianças.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Dia mundial da poesia (IV)...

 

Mural: Ideias escritas pelos alunos:

"A poesia é imaginar um mundo perfeito em forma de arte. " (Laura - 6.º D)


"A poesia é a mais bela forma de expressar o amor." (9.º B)


"A poesia são rimas imaginadas, são sentimentos que brilham no coração." (Clara - 5.º D)


"A poesia são as palavras, letras e números sob versos, quadras e principalmente quem os escreve..."

"A poesia é liberdade."

"A poesia é o reflexo da lama"

"A poesia é colocar as palavras a cantar."

"A poesia é viajar."

"A poesia é um maneira de nos expressarmos."

Dia mundial da poesia (III)...

 


Painel a integrar a exposição sobre os quinhentos anos de Luís de Camões e o Dia mundial da poesia e que contém alguns dos poemas criados por alunos do agrupamento Dr.º Carlos Pinto Ferreira.

Dia mundial da poesia (II)...

 Na comemoração dos quinhentos anos do nascimento de Luís de Camões e integrado no Dia Mundial da Poesia alguns alunos criaram alguns poemas, a partir do primeiro verso de um poema do poeta quinhentista. Alguns destes poemas foram partilhados com a Biblioteca Municipal de Vila do Conde que integrará a exposição a realizar neste espaço sobre Luís de Camões e a poesia.




Dia mundial da poesia...

 A biblioteca promoveu com a disciplina de Português a apresentação de um conjunto de poemas a serem lidos neste dia, 21 de março - Dia Mundial da Poesia nas diferentes salas de aula. Foi ainda construído um mural para as alunas se expressarem - "A poesia é"...

Deixam-se dois dos poemas escolhidos para atividade indicada em cima.





Miúdos a votos


No dia 12 de março conclui-se a atividade "Miúdos a votos 2025" onde os alunos puderam propor um livro para ser votado após a construção de uma campanha em favor do mesmo e proceder a uma votação, nos procedimentos que as eleições em democracia costumam formalizar. Deixa-se algumas imagens dessa votação. Em posts anteriores foram publicados os podcasts construídos. No 2.º Ciclo, o livro mais votado foi Estranhão 1, de Álvaro Magalhães e no 3.ª Ciclo o livro mais escolhido foi Isto acaba aqui, de Collen Hoover. A todos os que participaram, parabéns pelo envolvimento e concretização da ideia. 

 

sexta-feira, 7 de março de 2025

Ler no feminino


As efemérides são sempre pobres formas de lembrar causas. São a possível lembrança de algo necessário ou marcante. Triangle Shirtwaist Company é a marca de uma luta das mulheres operárias do têxtil que em Nova Iorque nesse ano distante de 1910, ou das tecelãs de São Petesburgo que a 08 de Março de 1917 tentaram melhorar as suas condições de vida.

A data merecia que hoje compreendêssemos como estamos desatentos às formas de exploração dos seres humanos. E, nesse sentido a leitura e a escrita podem ser formas de compreender essa luta interior das mulheres por séculos de esquecimento. A luta pela liberdade, a existência que procura esse axioma hegeliano, o ser é “ter-se tornado, é ter feito tal qual se manifesta” vive desses universos particulares que foram os espaços íntimos da leitura. 

A recuperação desses momentos é uma forma de compreender uma luta de grande convicção, de ondas, onde muitos, sobretudo mulheres pereceram e a que nós escapamos. O livro e a leitura são o domínio do feminino, a escrita foi a sua teia de vida. Os homens sempre foram raros leitores. As cartas eram a prova de vida de uma escrita e de uma sobrevivência, onde corriam o amor, o medo, a idade, a morte e do que se alimentavam vida e esperança.

A linguagem é uma estima no feminino pelas palavras, por uma candura de imaginação, onde repousasse o conhecimento capaz de preencher os dias e mudá-los. A Inquisição foi uma fogueira alimentada por mulheres e livros. Os homens pela circunstância do poder, da mineralização das pedras tornadas palácios são agentes de uma palavra sedentária que pouco confia na beleza da palavra. Não imaginamos um homem a embrulhar no mercado um peixe com um resto de poemas desalinhados.

Os homens são agentes de palavras formais, as do Estado, as da ordem, as das normas. Os livros foram a grande companhia do universo feminino. Nessa sabedoria de tentarem revelar a vida foram com as palavras as formas de como rostos femininos perceberem melhor os poros da vida. A luta das mulheres, da leitura e dos livros foram essa oposição ao formalismo do inexpressivo que o poder económico, político e religioso sempre procurou estabelecer. É sobre essa imaginação de belo que a arte dá conta e que exprime de um outro modo uma luta antiga por algo elevado e essencial, a própria vida.

Elas...


“Elas fizeram greves de braços caídos. Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta. Elas gritaram à vizinha que era fascista. Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas. Elas vieram para a rua de encarnado. Elas foram pedir para lai uma estrada de alcatrão e canos de água. Elas gritaram muito. Elas encheram as ruas de cravos. 

Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes. Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua. Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo. Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas. Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra. Elas choraram de ver o pai a guerrear com o filho. Elas tiveram medo e foram e não foram.

Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas. Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa. Elas sentaram-se a falar À roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões. Elas levantaram o braço nas grandes assembleias. Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos. Elas disseram à mãe, segure-me aqui nos cachopos, senhora, que agente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é. Elas vieram dos arrabaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte da casa fechada. 

Elas estenderam roupas a cantar, com as armas que temos na mão. Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens. Elas iam e não sabiam para aonde, mas que iam. Elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado. São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.”

Maria Velho da Costa. (1976). Cravo. Lisboa: Moraes Editores.
Imagem: Copyright - Alfredo Cunha Official Fujifilm X-Photographer, Vila Verde, 2001